quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O que é mais importante para você?

 
A insatisfação com a própria vida, a decepção com aqueles que estão próximos de nós, a apatia e falta de vontade de viver são sentimentos que muitos de nós já sofremos algum dia na vida. Há quem diga que por volta dos 30 anos todo ser humano tem o seu “divisor de águas”, onde aprende a olhar para trás, aprende com suas feridas e é obrigado a cicatrizá-las para seguir em frente, olhar adiante. Esta não deixa de ser uma boa teoria para explicar as angústias da vida. Quem nunca teve o ímpeto de abandonar tudo e seguir em outra direção? Estabilidade, status, emprego, casamento, dinheiro, tudo isso pode aprisionar uma pessoa dentro dela mesma, pode provocar a auto-sabotagem inútil, que nunca trará a felicidade almejada. Por outro lado, há pessoas que possuem a coragem de deixar tudo isso para trás quando percebe que nada faz sentido, quando percebe que a vida não tem mais sabor. Este é o caso da personagem de Julia Roberts em Comer Rezar Amar (2010), baseado na história real da escritora Elizabeth Gilbert.

 
O filme conta a história de Liz, uma autora de sucesso, que vive em Nova York, é casada e tem amigos, mas não tem nenhuma motivação para seguir em frente. Procura em novos relacionamentos passageiros, procura na família, mas não encontra em lugar algum. Até que um dia decide que vai passar um ano em viagem para lugares que jamais havia imaginado conhecer. Planeja-se. Segue primeiramente rumo à saborosa Itália, terra do bom garfo, onde é possível “perder” tempo tomando sorvete na praça, onde Liz abandona a culpa de comer, de se alimentar com satisfação, perde a vergonha de se lambuzar e de destinar tempo a não fazer nada, em respirar somente.
Durante o filme, outras histórias se entrelaçam à de Liz. “Na Itália, ela conhece um grupo que a adota, levando-a para restaurantes e até para casas de campo, onde passam o feriado de Ação de Graças. É na Itália que ela começa a aprender a relaxar e a alegria de não fazer nada – o famoso dolce far niente” (Pop&Arte-G1).
Em seguida chega à Índia. Ali aprende com muito esforço a se concentrar, a encontrar o fundo de seu EU, a se respeitar mais e descobre também que há pessoas que precisam fazer aquilo que sabem fazer, aquilo que sua essência permite que se faça. Percebe, principalmente, que o silêncio é um pedacinho do céu que desce até o ser humano.

“Na Índia, ela conhece Richard (Richard Jenkins), um texano que implica com o seu jeito, até que se torna seu amigo e uma espécie de mestre, mesmo com pouca relação com a religião” (Pop&Arte-G1).

Ao chegar à Indonésia para rever um guru que previu sua volta, ela tem a oportunidade de amar. Mas não os amores fugazes que havia tido, onde ela se anulava para se tornar o outro e viver a vida do outro, mas sim um amor que a pudesse instigar, criar mistérios e tranquilidade. Quando Liz, já cansada de negar os comentários de que precisava arrumar um marido e já cansada de se indignar com a afirmação de que toda “mulher precisa de um homem”, ela se rende à paixão por Felipe (Javier Bardem). “Na Indonésia, ela reencontra o seu verdadeiro guru, que propõe que ela encontre o equilíbrio entre o prazer e a censura. Também em Bali, ela é apresentada para uma curandeira, que, junto com a sua filha, são responsáveis pelo momento mais emocionante do longa” (Pop&Arte-G1).

Ainda que o filme cometa certos pecados culturais, retratando os clichês e as caricaturas de alguns países, é inevitável a sensação de sair do cinema louco para pegar um avião e aterrissar em Roma. A impressão que temos é que a Índia é muito mais rígida do que imaginamos ser e que lá faz muito mais calor, já que Liz aparece menos “bonita” em sua passagem pelo país. Já em Bali, sua áurea volta à conexão com a beleza.

No dia a dia das empresas por muitas vezes nos vemos assim, desmotivados, cansados de tudo e de todos, com vontade de sair, fechar a porta e não olhar para trás. Mas é justamente nesse momento que precisamos parar tudo, repensar os rumos tomados e retroceder onde erramos para conseguir seguir em frente aprendendo com nossos erros. Não é fácil amadurecer, este é um processo doloroso na vida pessoal e profissional. Às vezes, por mais que tenhamos sucesso e sejamos bons profissionais, isso não faz de nossos comportamentos os melhores dentro de uma organização e para com outras pessoas.

Embora baseado em um livro de vivências, o filme está longe de ser uma auto-ajuda. Ele é capaz de nos fazer ver a importância das metas e objetivos traçados, a importância de cumpri-los, ainda que durante o percurso tenhamos problemas, contradições a serem vencidas e que seja necessário leveza e menos rigidez para cumprir com o caminho traçado. Comer Rezar Amar levanta o debate sobre a questão: o que é mais importante para ser feliz? Esta resposta o Cine Gestão deixa para vocês!

Acesse também o Site Oficial do filme


Casal de atores na Premier de Nova York


FICHA TÉCNICA

Diretor: Ryan Murphy
Elenco: Javier Bardem, Julia Roberts, James Franco, Billy Crudup, Richard Jenkins, Viola Davis, Tuva Novotny, Ali Khan, Lidia Biondi, Arlene Tur, Luca Argentero, James Schram
Produção: Dede Gardner, Brad Pitt
Roteiro: Ryan Murphy, Jennifer Salt
Fotografia: Robert Richardson
Trilha Sonora: Dario Marianelli
Duração: 133 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Sony Pictures
Estúdio: Plan B Entertainment

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O filme Amor sem Escalas - (Up in the Air, 2009 -EUA) vem nos traz importantes reflexões sobre nossa postura diante daquilo que fazemos e veramente acreditamos, nossos valores e nossa capacidade de mudar de opinião, crescer, valorizar outros aspectos da vida. Ninguém está livre de mudanças, e quando mais rígidos formos em nossas convicções, mais suscetíveis seremos a mudá-las.

 
Demitir pessoas, acabar com os sonhos e os planos alheios, afundar o dedo nas feridas mais profundas e gerar o desespero e angústia nas pessoas. Este é o trabalho de Ryan Bingham (George Clooney), um executivo de uma grande companhia de Recursos Humanos especializada em demissões e cortes de pessoal que é terceirizada por outras grandes empresas para fazer-lhes o “serviço sujo”. Ao longo de sua carreia, Ryan desenvolveu um profundo amor pelo que faz e pela sua vida de não ter um lar, paradeiro certo e de viver de aeroporto em aeroporto, viajando para onde existam pessoas a serem demitidas. Isso tudo o fez uma pessoa fria, calculista, sem muito apego e alguém profundamente orgulhoso de ser como é.

Logo no início do filme, que é narrado em primeira pessoa, o personagem se pergunta, imitando as inúmeras contestações que ouve dos demitidos, “quem sou eu”? A resposta é que ele é o demônio terceirizado que veio para espalhar o desespero. Percebe que no fundo não passa de um repetidor das clássicas mentiras de todo RH: “sua carreira está apenas começando”, “encare isso como mais um desafio”, “confio nas suas possibilidades”, quando a pessoa do outro lado só pensa nas dívidas da hipoteca da casa, na escola dos filhos e no fato de não ter mais de onde tirar dinheiro para sobreviver. É a automatização da demissão, a distancia e a deumanização.

Ryan e ALex (Vera Farmiga)
Numa de suas inúmeras viagens como palestrante e consultor, Ryan conhece uma mulher que “adora a falsa hospitalidade” dos locais em que se hospeda. Esta mulher é Alex Goran (Vera Farmiga), uma relação onde percebemos claramente a inversão de valores entre homem e mulher, mesmo sendo ambos executivos de grandes empresas. Eles têm em comum a praticidade da vida, a falta de valores humanos e os apegos excessivos a status, ao dinheiro. Ryan, por exemplo, possui a compulsão por colecionar milhas nas companhias aéreas, ele quer bater o record de 1 milhão de milhas sendo o indivíduo mais jovem a realizar a proeza. Seu único objetivo com isso é ter seu nome escrito em uma aeronave, ser imortal!.

 
Ryan segura imagem dos noivos para ser fotografada
Sua família, sempre muito distante, exige sua presença no casamento da irmã mais nova e vai além, pede que ele faça fotos da imagem dos noivos em vários pontos do país por onde ele passar, já que os noivos não poderão ter uma lua de mel descente, ao menos a imagem deles, de papelão, terá. Meio ao estilo do Anão de Jardim no filme “Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain” – ou simplesmente Amelie Poulain, Ryan, a contra gosto, acaba fazendo as fotos, contando para isso com a ajuda de Natalie Keener (Anna Kendrick), uma jovem promissora que entra para a empresa como sendo a solução de todos os problemas. Sua idéia é implantar um novo sistema de demitir pessoas, sendo que não seria mais necessário viajar até o cliente para demitir seus funcionários, se não, fazer isso por meio de vídeo conferência, sem contato real, próximo ou humano.



Natalie (Anna Kendrick) e Ryan (Clooney)
Transição! Toda mudança gera medo e insegurança, sendo esta etapa sempre muito difícil para qualquer pessoa. Ameaçado pela jovem (Geração Y), que parece querer roubar seu lugar na empresa e seu modo de vida, Ryan propõe que ela vá com ele nas suas viagens experimentar fazer aquilo que fazem tendo como desafio o olho no olho, testar o sangue frio da moça, o coração. Na verdade, ele quer continuar “apunhalando o peito e não as costas das pessoas demitidas”, ou seja, fazer isso pessoalmente. Ryan é o tipo do homem que afirma gostar de estereótipos porque assim ganha tempo nas filas dos aeroportos.

Quando Natalie diz que Ryan criou um casulo dentro da sua filosofia da “mochila vazia”, ele percebe que o maior vazio está dentro dele mesmo. Ele já não acredita nisso, ele já não é o mesmo. Também sua colega de trabalho não é mais a mesma, ela foi tocada pelo calor do ser humano, quando ela experimenta a prática, deixa de acreditar fielmente naquilo que ela diz, naquilo que ela mesma criou.


Ryan chega com seu cartão de milhas para mais uma viagem

A reviravolta do personagem está no convite que ele faz para Alex de acompanhá-lo ao casamento da irmã, ele não teve medo de mudar sua postura e seu comportamento diante daquilo que ele sempre afirmava. Entretanto, logo teve que lidar com a decepção e com a frustração de expectativa que criamos em cima das pessoas. Nesse momento do filme, a conquista de suas milhas já não tem a menor importância para ele. Talvez ainda tenha para a sua irmã, recém-casada. Ao final, Ryan tem sua vida de volta, até mesmo porque, a vida é a nossa melhor companhia.

FICHA:
título original: (Up in the Air)
lançamento: 2009 (EUA)
direção: Jason Reitman
atores: George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman.
duração: 109 min
gênero: Comédia Dramática

segunda-feira, 25 de novembro de 2013


                                    Cine Desenvolvimento
Objetivo: Mostrar como o cinema pode ser um ótimo recurso e uma fonte inesgotável para treinamento e desenvolvimento na área de Gestão de Pessoas e no universo corporativo. Habilitar os profissionais a terem uma outra visão de filmes, seriados, animações e técnicas audiovisuais para que isso possa ser usado dentro da empresa como treinamento e ao mesmo tempo, motivação.

O que é o Cine Desenvolvimento?
O Cine Desenvolvimento é um blogsite que vai funcionar de duas formas. A primeira é como um blog onde serão tratados assuntos que relacionem cinema e gestão de pessoas, treinamentos e outros aspectos. O blog vai trazer dicas de filmes e como utilizar esse recurso dentro do espaço empresarial para os colaboradores.
O segundo segmento do Cine Desenvolvimento serão os encontros, promovidos, onde serão exibidos filmes, seguidos de debates, para auxiliar, ainda mais, a implementação desses recursos na gestão de pessoas.
Porque o cinema?
O cinema é uma arte plural, que atinge a todas as esferas da sociedade. Não existe uma única pessoa que não goste de filmes, não importando o gênero. Todos já tiveram a oportunidade de assistir e cada um tem pelo menos um filme marcante e inesquecível na sua história de vida. Cada vez mais o mercado tem apostado nas convergências de mídia e em recursos audiovisuais para a disseminação de conteúdo e informação. Vide o crescimento assombroso dos vídeos na internet e do sistema on-demand para filmes. Com esse propósito, o Cine Desenvolvimento vem mostra que o cinema já produziu um vasto acervo de conteúdo que pode – e deve – ser usado como forma de treinamento.
Por que usar filmes comerciais?
Porque o cinema consegue passar informações de forma clara e completa, seguindo métodos de raciocínio eficazes. É muito mais fácil alguém compreender uma situação observando um exemplo. Sem falar que filmes trazem uma linha narrativa que ajudam na absorção da história.
Isso não pode confundir aprendizado e diversão?
Não necessariamente. Tudo vai depender da escolha do filme e da mensagem a ser passada. Na verdade, o que vai importar mesmo é o que o colaborador vai aprender com a exibição do filme. A diversão vem acoplada a essa intenção. E mesmo que assim seja, essa é uma técnica que motiva os colaboradores a participarem ativamente, dando até sugestões para próximas sessões. Porque não aliar lazer e aprendizado?